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Morre menino que deixou de receber um coração por falta de transporte

O menino que deixou de receber um coração novo por falta de um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) morreu na noite da última sexta-feira, 14 dias depois da oferta — e da recusa — de um órgão. Gabriel tinha 12 anos e estava internado em unidade de terapia intensiva (UTI) de um hospital em Brasília, à espera de um transplante.
Uma oportunidade real surgiu no primeiro dia do ano, com um coração em boas condições disponível em Pouso Alegre (MG), a menos de mil quilômetros da capital federal. A chance acabou desperdiçada por falta de transporte, como O GLOBO mostrou em reportagem publicada no dia 10.
O estado de saúde do menino vinha se agravavando. A morte ocorreu na noite de sexta-feira e foi confirmada por familiares e por um profissional de saúde que atua no sistema de transplantes de coração em Brasília. O sepultamento ocorrerá neste domingo, numa cidade do interior de Minas Gerais, onde vive a família de Gabriel.
Ontem, por volta das 16 horas, uma nova doação de coração surgiu no sistema de transplantes, e desta vez em Brasília — não haveria, portanto, necessidade de transporte. Um adolescente de 16 anos do Distrito Federal teve morte cerebral após ser baleado na cabeça. A família decidiu doar todos os órgãos. Gabriel era o primeiro da fila à espera de um coração. O órgão foi destinado ao segundo da lista.
A família de Gabriel estava em Brasília para o tratamento do problema no coração do menino. Ele era uma das duas crianças na capital federal inscritas na lista de transplante – a outra é uma bebê de nove meses.
Familiares contam que o garoto tinha um coração com alterações, mesmo problema que vitimou dois tios, e por isso dependia de um transplante para viver. A doença se manifestou há menos de seis meses.
Doações de coração são raras. Para crianças, são mais raras ainda. O órgão tem um tempo de isquemia de quatro horas, que é o período em que pode ficar sem irrigação sanguínea nenhuma, até trocar de peito. É o menor tempo dentre os órgãos com possibilidade de transplante.
A Central Nacional de Transplantes, em 1º de janeiro, disparou e-mails a centrais de regulação de alguns estados e do Distrito Federal para ofertar o coração surgido em Pouso Alegre. Na oferta, porém, a central já informava a falta de transporte até a cidade mineira. A equipe que cuidava de Gabriel nem chegou a embarcar.
A FAB confirmou ao GLOBO que recebeu o pedido para o transporte do coração e que "não pôde atender por questões operacionais". A instituição informou ainda que o episódio passou a ser investigado. "As circunstâncias envolvidas no caso estão sendo apuradas", afirmou em nota do Centro de Comunicação Social da Aeronáutica.
As condições eram favoráveis ao transplante do coração. A Central Nacional de Transplantes não informou objeções sobre a qualidade do órgão, mas apenas referentes a condições logísticas. Pouso Alegre tem um aeroporto; naquele dia, aviões da FAB não decolaram para transportar autoridades; e a FAB já fez percursos maiores, um deles superior a 1,5 mil quilômetros, para buscar corações que foram transplantados em pacientes de Brasília.
Transplantes no Brasil são quase que inteiramente feitos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O sistema é considerado eficiente, mas tem falhas principalmente no transporte interestadual de órgãos.
O Instituto de Cardiologia do DF, responsável por fazer os transplantes de coração em Brasília, não forneceu informações sobre a morte de Gabriel. O Ministério da Saúde, em nota enviada à reportagem, disse que o menino "estava na lista nacional de espera por transplante em caráter prioritário e com acompanhamento da sua situação de saúde".

"Contudo, a realização de um transplante, bem como o tempo de espera para cada órgão, varia de acordo com as características do receptor e do potencial doador que devem guardar estreita compatibilidade como características genéticas, tipo sanguíneo, variações antropométricas, entre outros aspectos", cita a nota.
A pasta apontou ainda o "desafio logístico". "O exíguo tempo dificulta a realização da retirada e do transplante em casos em que o potencial doador se encontra no interior do país, como ocorrido no dia 1º de janeiro, em que o possível doador estava na cidade mineira de Itajubá, a 40 minutos de carro de Pouso Alegre, onde fica a pista de pouso mais próxima."
Em 2014, conforme o ministério, foram feitos mais de 5 mil voos para transporte de órgãos. Esse transporte é feito principalmente na aviação comercial. Em 2013, o Ministério da Saúde e a FAB assinaram um acordo de cooperação técnica para priorizar o transporte de órgãos e tecidos.


O globo

Por: Ivan Filmagem
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