ARARUNA

Histórico eleitoral de Araruna/PB - De 1947 à 1959

Por: Wellington Rafael

A data do dia 2 de outubro de 2016, entra para a história política do município de Araruna - PB, por ter encerrado uma hegemonia de quatro décadas consecutivas de um grupo político no poder, a Família Maranhão. A derrocada deste domínio prolongado ecoou nos quatro cantos da Paraíba, de fato, foi um feito raro, mesmo em nível nacional, quase meio século de poder seguido.

Porém, vale salientar, que não foi somente nestes 40 anos que o clã Maranhão esteve á frente do executivo municipal, lembrando que este núcleo familiar derivou de um outro, "Targino", onde esta ramificação "Targino Maranhão", ganhou mais espaços a partir da década de 1950.


José Gomes Maranhão Filho, 1º Prefeito eleito de Araruna.


Encontraremos um membro do clã Maranhão vencendo a primeira disputa eleitoral da cidade no longínquo ano de 1947, após muitos anos do município ser governador por conselheiros municipais e interventores, José Gomes Maranhão Filho, da UDN (União Democrática Nacional), foi o primeiro prefeito eleito de Araruna. Zé Maranhão, como era chamado, era irmão do futuro líder político Benjamim Gomes Maranhão (Seu Beja), ambos filhos de José Gomes Maranhão e Maria Julia Targino Maranhão (Dona Donzinha).

Começou neste momento uma continuidade de 4 prefeitos durante 16 anos, com José Maranhão UDN - (1948/1951), que foi sucedido por Celso Otávio Morais UDN - (1952/1955), Benjamim Maranhão - PTB (1956/1959) e Alfredo Barela - PTB (1960/1963). Merece destaque lembrar que a partir de 1º de julho de 1950, toma posse como Governador da Paraíba, o ex-prefeito de Araruna na década de 1920, José Targino Pereira da Costa (Zé Targino), o que influenciaria no jogo político municipal, onde indicou seu genro Celso Otávio Morais em 1951.


Resultado eleitoral do primeiro pleito para prefeito de Araruna - PB em 1947, que elegeu José G. Maranhão Filho. Fonte: TRE-PB.


No pleito seguinte, para sucessão de José Maranhão, é escolhido Celso Novais, genro do prestigiado líder político á época, o "Dr." Zé Targino, futuro governador do estado.


Em 1951, Celso Otávio elege-se prefeito de Araruna, derrotando o comerciante Joaquim Ferreira. Fonte: TRE-PB.



Posse do Prefeito Celso Otávio Morais de Araujo, entre os presentes: Agenor Targino e Benjamim Maranhão. Foto: 1951. Fonte: Humberto Fonsêca de Lucena.

Prefeito Celso Novais e o ex-governador Zé Targino em Cacimba de Dentro, década de 1950. Fonte: www.memoriadeararuna.com.br

A força do líder Zé Targino foi posta a prova em 1954, onde Araruna viveu momento de grande efervescência política, que gerou um episódio conhecido como Racha dos Targino:

Deputado Estadual, José Targino Maranhão.


O quadro político estava marcado pela cisão dentro da família Targino. De um lado, o Dr. José Targino queria o genro Celso Novais, então prefeito do município, como candidato a deputado estadual nas eleições daquele ano; do outro lado, seu primo, Benjamim Maranhão queria o filho, José Targino Maranhão, na condição de candidato. Passadas as eleições, o que se viu foi a esmagadora vitória do segmento familiar Targino Maranhão que sepultou a hegemonia de mais de trinta anos do ex-governador José Targino, [...]. Era um ramo familiar dos Targino cedendo o bastão para outro ramo Targino Maranhão. (LUCENA, 2004. p. 101).

Sendo assim, em 1955, encontramos José Targino Maranhão (Zé de Beja), sobrinho do ex-prefeito José G. Maranhão Filho, se elegendo o deputado estadual mais jovem da Paraíba aos 18 anos (Cargo que se reelege nos pleitos de 1958, 1962 e 1966).

Enquanto seu pai, o latifundiário Benjamim Gomes Maranhão, cada vez mais inserido na vida político-social do município, realiza um grande feito: a inauguração do Hospital e Maternidade Maria Júlia Maranhão ainda em 1954. Este feito contribuiu no seu credenciamento perante a população, assim, elege-se em 1955 prefeito de Araruna, como mencionado anteriormente, derrotando Ernesto Targino Moreira.


Benjamim Gomes Maranhão, é eleito prefeito de Araruna em 1955. Fonte: TRE-PB.



O líder político Benjamim Maranhão na década de 1950. Foto enviada por Humberto Lucena.

O líder político Beja Maranhão (de braços cruzados) com aliados no alto do palanque, durante comício em 1954, de fronte a seu antigo armazém, demolido na década de 1960 para abertura da Avenida Benedito Fialho.
Fonte: Acervo de Wilma T. Maranhão.


Deputado José Maranhão discursando no dia da inauguração do Hospital e Maternidade Mª Júlia Maranhão, entre os presentes, o senador Ruy Carneiro e o prefeito Benjamim Maranhão, observando o filho. Fonte: Wilma Targino Maranhão.

O Mandato de Beja Maranhão perante a sociedade ararunense, fez com que consegui-se eleger Alfredo Barela seu sucessor, derrotando Agenor Targino, filho do ex-governador Zé Targino, em um pleito acirrado. As disputas eleitorais na sede do município, Araruna, eram bastante acirradas, mas quando a votação vinda do distrito Cacimba de Dentro (onde Alfredo residia) vinha, o resultado pró Beja Maranhão e aliados era favorável.

A respeito do senhor Alfredo Barela, não consegui registro fotográfico, embora tenha visitado sua antiga residência na zona rural de Cacimba de Dentro, fui levado pelo ex-prefeito de lá, Zé Ferreira, onde seu antigo morador, Antônio Benedito comentou sobre o ex-patrão.

Segundo ele, Alfredo era um homem preocupado com os mais pobres, onde nos últimos dias de vida teria pedido a Antônio, que enquanto tivesse vida, nunca deixasse de votar em Beja Maranhão e em quem ele indicasse. Alfredo Barela conforme relatos de muitos, era um homem alto e robusto, que tinha o costume de guardar biscoitos nos bolsos das roupas para comer depois, além do hábito de comer jaca nas calçadas das ruas de Araruna.

Em 1959, o aliado e sucessor de Benjamim, Alfredo Barela morador no distrito de Cacimba de Dentro é eleito prefeito de Araruna vencendo Agenor Targino.

Comenta-se que no fim da década de 1950 houveram grandes atritos entre Beja Maranhão e o Padre Joaquim (chegado em 1954 á paróquia), o que teria resultado na vinda de dois frades holandeses, Frei Timóteo e Frei Herculano, a pedido do Frei Damião de Bozzano, onde tentariam em vão apaziguar a situação política local, em um episódio obscuro que muitos não se atrevem a comentar, chamado de Surra dos Padres, ocorrido no sobrado que pertence atualmente a Demócrito Moreira, teria após isso, segundo minhas pesquisas, pesado negativamente contra "Seu Beja", e levado seu grupo á três derrotas seguidas para prefeito. Se algum pesquisador com melhores informações, puder acrescentar ou retificar algo mencionado, darei a mão a palmatória, e agradecerei.

Após este período, o grupo político e aliados do grande líder político do Curimataú, Beja Maranhão, amargaram três derrotas eleitorais consecutivas: para Targino Pereira em 1963, Agenor Targino em 1968, e Mentor C. Fonseca em 1972. Foram 12 anos do clã Maranhão e aliados na oposição.


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